domingo, 18 de janeiro de 2009

FINAL DE TARDE NUM BAR DECADENTE EM FORTALEZA


Impressões ligeiras e fragmentadas sobre o bairro da Jacarecanga, ontem no final da tarde, na padre mororó, após reunião do Crítica Radical.

Fiquei na esquina da Padre Mororó com alguns conhecidos do Crítica Radical numa mesa de bar.Fiquei meio contemplativo, meio blasé, enquanto os outros comentavam coisas do seus cotidianos e sem estarem muito interessados de que eu me inserisse em suas vidas mais íntimas.

Então fiquei bebericando uma brahma- apesar da negação do meu médico - ouvindo o Julio Iglesias que tocava e vendo a decadência dos bares da esquina em questão.

O bairro ja foi bem glamurizado e hoje tem aqueles casarões da década de 30 e 40 todos ou quase todos detonados, alguns viraram mocós de sem-teto, de moradores de rua, de pessoas não muito recomendáveis.

E fiquei ouvindo o Julio Iglesias que tocava e tentando me conectar a alguma temporalidade qualquer...No fluxo da conversa citaram o final da mini-série da Maysa da Globo, porque aludiram e evocaram o nome de uma amiga deles que, segundo eles, quando bêbada tem os mesmos "bonecos" e inconveniências da Maysa...Nesse momento eu voltei para o planeta Terra das pessoas comuns que em vez de ficarem olhando para arquitetura detonada de ruas de bairros que um dia tiveram glamour, resolve conversar sobre coisas cotidianas como brigas de marido e mulher, sobrinho que engravidou fulana, contas de luz, gás e telefone...

...e lá estava eu dando as minhas impressões sobre a música da Maysa que acho muito pra baixo e cafona.E sem ver nem para quê comecei a lembrar do teatro, dos romances e das crônicas de Nelson Rodrigues.Sim! Nelson Rodrigues.Suas mulheres nervosas, seus homens tarados e todo o seu carioquismo tem muito a ver com a década de 60 que pinto na memória que imagino dessa época, sem nunca na verdade ter vivido nela, posto que nasci em 1972 quando a tropicália já dava sinais de morte.

No final da rua tem o cemitério São João Batista onde estão enterrados escritores muito conheciodos da cidade, como o, dizem, racista, Quintino Cunha.

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