sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

DE TREM PRA MARACANAÚ


Hoje estava assistindo o Jornal do Meio Dia
e vi uma notícia que o Projovem do Governo Federal
estava precisando de professores para o municípios do Interior.

E aí, como talvez vá ficar desempregado logo logo, lá fui eu numa aventura
por trem até o município da região metropolitana de Maracanaú.

Essa crônica pretende narrar como foi meu percurso dentro do trem sucateado.
Peguei o trem na estação do Couto Fernandes em frente ao Incra em Fortaleza
e na estação ninguém sabia com certeza
onde ficava a sede da prefeitura
ou da secretaria de educação de Maracanaú,
o que revela o quanto o povo está distante dos gestores públicos.

Dentro do trem sucateado, caindo aos pedaços, fedorento
fui ao lado de um senhor queixoso quanto ao Metrofor
e num mecanismo de memória involuntária proustiana
eu fiquei me lembrando de quando ainda no ano de 1986
eu pegava o trem para ir para o quartel da Polícia Militar
onde eu tentava treinar para tornar-me um infanto
desses que ficava o dia todo em pé
sem ganhar um centavo
em lojas olhando os menores que queriam roubar algo.

Cada traseunte exibia o seu semblante de sofrimeto
e salário baixo
As árvores que passavam agitadas
na janela me acenava essa Fortaleza mais selvagem,
mais rural da zona sul e suburbana pros lados da Messejana

uma região verde e que ainda não foi muito surripiada
pela especulação imobiliária

À medida que se aproximava do município de Maracanaú
percebia que a arborização de mata ciliar
ia rareando na janela do trem
anunciando que o município polúido e industrial estava próximo


Uma pichação no trem ao lado exibia a palavra "kaos" em letras róseas
achei estranho e bonito
um kaos roseo.
E sei lá comecei a Pauloleminskalizar a paisagem.

Fiquei lembrando que o primeiro cartaz do Movimento Punk de Fortaleza
eu vi nesse trem para o Maracanaú
na volta do Conjunto Esperança
e do tal quartel da Polícia
em que eu adolescente
aprendia a ser macho e homem de respeito.

Hoje os punnks mais velhos, os que estão vivos e não morreram de droga
ou de morte violenta,
são pais de família poucos escolarizados que escutam discos arrannhados
do Clash, Sex Pistols ou Ramones ou donas de casa ocupadas em ler a Bíblia pra filha que se converteu.

Os mais jovens não querem muito papo comigo
porque me acham muito acadêmico.



Na volta - não consegui o emprego coisa nenhuma
outras memórias vieram involuntariamente, dessa vez
lembrava-me das cenas de trem
do filme em que Leonardo de Caprio
faz Rimbaud e namora com Verlaine.
Os europeus sentem uma presença muito maior do trem
no cotidiano do que nós cearenses.

Nenhum comentário: