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quinta-feira, 4 de junho de 2009

SÓ ROBERTO CARLOS SALVA


Hoje a tarde

com aquelas tardes quentes de Fortaleza

céu azul com nuvens esparsas, cúmulos, cirros, estratos.


Roberto Carlos tocava no ônibus

e eu lembrava de anos que eu não vivi

com ansiedade, fúria, desespero e síncope.


Era Roberto Carlos de uma coletânea da década de 70

a estranha e pesada década de 70

da qual me fixo a infância.

Sim.A infância sem pai.A infância dentro de ônibus

vendo pessoas tristes e assalariadas.


No meu poema não cabe a tristeza desse menino lá fora

no Sol quente contando os trocados de um parabrisa que limpou.

No meu poema não cabe o sofrimento do mendigo

com a perna bichada que estende a mão lá fora.


No meu poema, egoísta que sou só cabe minhas miudezas

meus desmaios, minhas lágrimas contidas e minhas saudades.


segunda-feira, 27 de abril de 2009

NOITE DE SÁBADO



NOITE DE SÁBADO
Noite de sábado.

Uma semana se passou.
Um ano se passou.
E tudo permanece igual: noite de sábado, sozinho.

Olho a programação de tv;
Vejo algum programa humorístico;
Escuto alguma estação de rádio;
Leio algum livro empoeirado ou mofado
nesse longo inverno chuvoso em que estamos.
Pois é Sábado e estou sozinho.

Os bares estão cheios.
As igrejas estão cheias.

E eu estou cheio dos bares e das igrejas
e por isso estou sozinho nesta noite de Sábado.

Tento me acompanhar das cartas de tarô

Tento me acompanhar das efemérides astrológicas
Tento maquinar sozinho alguma grande e sagrenta revolução pacífica
Tento maquinar um calendário de ações contra a poluidora sociedade do automóvel
Tento me acompanhar das pedras e dos monturos

É mais uma noite insone de Sábado.

sábado, 31 de janeiro de 2009

PÓS-MODERNIDADE E ENSIMESMAMENTO


Este texto surge de uma constatação: o ensimesmamento é a tônica dos habitantes de Fortaleza.


Cada vez menos há lugar em Fortaleza para uma boa conversa.Há cada vez menos lugares com pessoas interessantes para se conhecer.


Nas praças públicas do Centro da cidade, o movimento de pessoas diminuiu bastante, principalmente depois das 20 horas. Para onde vão os transeuntes das praças? Para os bares onde não se pode conversar, devido à música barulhenta ou será que os transeuntes nem saíram de casa com medo de assaltos e estão na solidão de seus condomínios fechados?


As pessoas estão trancadas ou se trancando, ensimesmadas nos seus mundinhos fechados, sem lugar para partilhar uma conversa que dure mais de 10 minutos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007


Estou só
não sou compreendido
embora fale a língua
do país onde moro.

Não tenho ninguém
em quem dar um
abraço
mais íntimo

Não sentirei os pêlos
de nenhum corpo

e me acompanho de livros

quarta-feira, 15 de agosto de 2007