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sexta-feira, 26 de março de 2010

O DESESPERO


Estranha forma de se acompanhar nesta sexta-feira

a noite: lendo Haroldo de Campos na internet.


Estranha forma de se dispersar

ouvindo os berros de adolescente na lan-house


Na rádio tocando algo que não tem nada a ver com o texto lido

espremido grito o tido o vido o espre-me-ssido çido
extremamente estremecido.


Que poema besta!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

SÓ ROBERTO CARLOS SALVA


Hoje a tarde

com aquelas tardes quentes de Fortaleza

céu azul com nuvens esparsas, cúmulos, cirros, estratos.


Roberto Carlos tocava no ônibus

e eu lembrava de anos que eu não vivi

com ansiedade, fúria, desespero e síncope.


Era Roberto Carlos de uma coletânea da década de 70

a estranha e pesada década de 70

da qual me fixo a infância.

Sim.A infância sem pai.A infância dentro de ônibus

vendo pessoas tristes e assalariadas.


No meu poema não cabe a tristeza desse menino lá fora

no Sol quente contando os trocados de um parabrisa que limpou.

No meu poema não cabe o sofrimento do mendigo

com a perna bichada que estende a mão lá fora.


No meu poema, egoísta que sou só cabe minhas miudezas

meus desmaios, minhas lágrimas contidas e minhas saudades.