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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

FRACASSO


Ouvindo o cd "Cores, Nomes" de Caetano Veloso


Minha escritura do fracasso tem me incomodado
meu pessimismo agônico
não sei se conseguirei emprego
fazer bicos
e os fazendo não sei se terei habilidade para pagar minhas contas
com pouco dinheiro
Fico pensando em Pessoa que só não passou fome
porque sabia inglês e traduiza coisas para escritórios de contabilidade
na pedregosa Lisboa.
Penso em Mallarmé que jamais seria best-seller com sua poeisa hermética
e cifrada
e só não passou fome
porque sabia inglês
e dava aula particulares
para os filhos de comerciantes endinheirados
na enevoada e suja Paris do século XIX

Só me interesso pelo que não de dá dinheiro:
cinema, literatura
Só um fracasso como professor de meninos em situação de risco
Só um tradutor ruim e não juramentado
Sou um fracassado social
e ando pé
porque meu Passecard não terá crédito após a demissão
Sou um futuro desempregado
e olho o céu como tampa
e essa imagem atesta o meu fracasso
e minha falta de critividade
porque já vi em outro fracassado do passado: um Baudelaire.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O OCULTISMO SEGUNDO FERNANDO PESSOA


Fernando Pessoa crê na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desse mundo, em graus diversos de espiritualidade, utilizando-se até chegar a um ente supremo, que provavelmente criou este mundo.


Ele achava que podia haver outros entes supremos que houvessem criados outros universos coexistentes com o nosso.


A Maçonaria evita a expressão Deus, dadas as suas implicações teológicas e populares, preferindo dizer: grande arquiteto do universo, que deixa em branco se ele é Criador, ou simples governador do mundo.


Não crê na comunicação direta com Deus, mas, segundo a nossa afinação espiritual, poderemos comunicar-se com seres cada vez mais altos.


Os três caminhos para o oculto são: o caminho mágico(espiritismo e bruxaria, extremamente perigoso); o caminho místico(não tem perigos mas é incerto e lento) e o caminho alquímico(o mais difícl e o mais perfeito, que envolve trasmutação da própria personalidade.


Fernando Pessoa, poeta introspectivo, vivia de traduções da língua inglesa para o comércio e não pertencia a nenhuma ordem iniciática.