quinta-feira, 13 de dezembro de 2007


Estou só
não sou compreendido
embora fale a língua
do país onde moro.

Não tenho ninguém
em quem dar um
abraço
mais íntimo

Não sentirei os pêlos
de nenhum corpo

e me acompanho de livros

COTIDIANO ESCOLAR


Enquanto não recebo o pagamento
desespero-me em risos involuntários
dentro de ônibus

Enervo-me com alunos adolescentes
que não estudam

encanto-me com senhores alunos
interessados em aprender

e recebo elogios
pela língua portuguesa

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

DOMÉSTICO


Em casa
agora degusto a liberdade e o tédio
o final do ano se aproxima
e o comércio apela para os meus bolsos vazios.

Leio um livro dispersivamente
Tudo num ritmo de espera opressivo.

TARDE


Tarde de Novembro
Mormaço sufocante
perambulo pelos subúrbios
cachorros latem
o horizonte ao longe
me comove
e o futuro é incerto.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O AMOR CHEGOU


O inverno acabou.Eis que chega a primavera, trazendo flores olorosas e pássaros canoros.
As abelhas recolhem seus ferrões e levam mel para as colmeias.
A grama verdinha recende o cheiro da terra da recente chuva que caiu pela manhã.
O sol brilha trazendo vida e o frescor do dia novo me enche de otimismo.

Não mais o diabo loiro do ano passado, sedutor e vampiro!
Vade retro!
Não mais a falta de sintonia e afinidade!
Estou amando e sendo amado
e estou feliz e piegas
como um comercial de margarina
às 7 da manhã.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A SECA NORDESTINA


Moro no litoral
abençoado por chuvas e um clima ameno.
Mas o sertanejo passa fome e sede
e a enxada encosta na rocha tilintando

O sertanejo e sua rês esperam o carro pipa do exército
esperam o inverno vindouro
e ele não chega
passam necessidade
abandona a casa
deixando até o mobilário

o poder público incompetente ou ausente
não traz comida ou consolo
o sertão seco com seu solo salino e raso
me comove
O cearense foge
e eu só apenas um professor do município
que poderei eu fazer por ele?
Impotente espero um dia
que a permacultura indígena
salve o sertão da inclemência da seca

sábado, 29 de setembro de 2007

OS NOVOS DESAFIOS


Recebo, ao meio, dia um telegrama me convocando para assumir uma vaga de professor na rede municipal.
Estou ciente das dificuldades da escola pública e das inúmeras fragilidades dos alunos carentes.
Num país que gasta apenas 1200 dólares por ano com estudante.
Serei pago por isso e estou feliz.