segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O AMOR CHEGOU


O inverno acabou.Eis que chega a primavera, trazendo flores olorosas e pássaros canoros.
As abelhas recolhem seus ferrões e levam mel para as colmeias.
A grama verdinha recende o cheiro da terra da recente chuva que caiu pela manhã.
O sol brilha trazendo vida e o frescor do dia novo me enche de otimismo.

Não mais o diabo loiro do ano passado, sedutor e vampiro!
Vade retro!
Não mais a falta de sintonia e afinidade!
Estou amando e sendo amado
e estou feliz e piegas
como um comercial de margarina
às 7 da manhã.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A SECA NORDESTINA


Moro no litoral
abençoado por chuvas e um clima ameno.
Mas o sertanejo passa fome e sede
e a enxada encosta na rocha tilintando

O sertanejo e sua rês esperam o carro pipa do exército
esperam o inverno vindouro
e ele não chega
passam necessidade
abandona a casa
deixando até o mobilário

o poder público incompetente ou ausente
não traz comida ou consolo
o sertão seco com seu solo salino e raso
me comove
O cearense foge
e eu só apenas um professor do município
que poderei eu fazer por ele?
Impotente espero um dia
que a permacultura indígena
salve o sertão da inclemência da seca

sábado, 29 de setembro de 2007

OS NOVOS DESAFIOS


Recebo, ao meio, dia um telegrama me convocando para assumir uma vaga de professor na rede municipal.
Estou ciente das dificuldades da escola pública e das inúmeras fragilidades dos alunos carentes.
Num país que gasta apenas 1200 dólares por ano com estudante.
Serei pago por isso e estou feliz.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

INSEGURANÇAS


Inseguro venço mais um dia de fome e de misérias afetivas e materiais

Tenho alguma comida, um teto para morar e uma cama para se deitar

Moro com pessoas que não sei a língua

Namoro com alguém que me ilude

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A METRÓPOLE


A Metrópole me vem desesperada

em fluxos urbanos de pessoas procurando empregos

e sentidos

de sinais de trânsito vermelhos

de portas fechadas

de pichações políticas competindo com o

cartaz da última banda de forró

ou do mais recente festival de reggae

muros borrados de fuligem

sacos plásticos a flutuarem levados pelo vento


de carros passando em disparada

de ônibus lotados

de poluídos rios sujos e fétidos

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O DIA QUE DEIXEI CURRÍCULOS NO COMERCIO


Estou tão sentido hoje, tão magoado, que não sei como artigular a mágua ou o ressentimento no papel...

...eu graduado em letras...quase mestre em literatura...e tendo que deixar currículos no comércio de Fortaleza.

Será que terei de passar horas em pé até o Natal, cheio de varizes e aguentando o mal cheiro de clientes chatos e esnobes nas sapatarias?

Divagações amargas!

Não perdou a minha mãe por não me apoiar em nada!

ONDAS MÉDIAS


Embriagado

ouço besame mucho

em ondas médias

e outras temporalidades

invadem chiadas

o meu quarto.